Não podemos falar de adoração sem abordarmos a palavra cultura, cuja raiz se encontra na palavra culto.

Cultura – são as crenças desses indivíduos em um determinado território. Do latim colere, que significa cultivar, essa palavra denota todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade. Podemos ver num mesmo território diferentes culturas.

No livro de Gênesis 2:15, o Eterno estabelece o homem num determinado território (o jardim do Éden), para que exercesse autoridade ao cultivar e guardar. A palavra hebraica para “cultivar” no hebraico é abád, que significa trabalhar, servir, labutar, fazer trabalhos, cultuar, ou seja, estabelecer cultura. E a palavra “guardar”, do hebraico shamar denota vigiar, observar, dar atenção, manter vigilância, conservar no estado original, preservar essa cultura a fim de que ela não seja distorcida. O homem tinha que conservar o território no seu estado original. Ele tinha que ser um vigia, um protetor do plano original. Deus entrega ao homem não somente a terra, mas o governo sobre a terra. Cultivar e guardar, ou seja, cuidar ou proteger, conservar no modelo original.

O Eterno estava apontando o estabelecimento da cultura do Reino dos Céus aqui na terra, ou seja, o propósito de Deus em colocar o homem na terra era para que ele estabelecesse uma cultura. A palavra cultura refere-se ao culto a uma divindade, é o comportamento das pessoas segundo as suas crenças. Ou seja, quem Deus é, e como eu expresso isso em minha vida. Está relacionada a um estilo de vida, uma ADORAÇÃO. Não existe separação entre adoração e cultura. Enfim, a adoração estabelece cultura, que influencia as pessoas a manifestar um comportamento segundo suas crenças. A cultura de uma nação reflete a filosofia do “deus” que é adorado, e somente os adoradores estabelecem uma cultura.

João 4:1-26 nos mostra à hora em que estamos vivendo no relógio de Deus, hora em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade. Observe que no versículo 04 diz ser necessário Ele passar por Samaria. Jesus não fazia nada por acaso, tudo era feito com um propósito bem definido. Na verdade, Ele queria nos revelar algo através desta experiência.

Quando Ele entrou na cidade, foi até o poço de Jacó, um poço cheio de tradições. A fonte de Jacó representava a cultura dos samaritanos. Foi neste poço que Jacó teve um encontro com Raquel e que aconteceram outros vários encontros. Jesus se assentou ao lado do poço, tomando proféticamente, o seu lugar de autoridade. Ele queria confrontar e mudar a tradição/cultura religiosa do território para governar sobre ele.

Ele se encontrou com uma mulher da região, uma samaritana (lembre-se que samaritanos e judeus não tinham contato, eram inimigos). Essa mulher representava a porta de entrada para todo o território, mas também era uma figura profética da Igreja. A Igreja, que por muitos anos, tem bebido do poço da religiosidade, da lei, da tradição. Esta mulher estava sedenta e precisava tirar água do poço de Jacó, da tradição. E, Jesus olhou para ela e disse: “Dá-me de beber”, despertando no seu espírito a sede por uma água diferente. Jesus pediu de beber não porque Ele precisava de água, mas para mostrar o estado no qual se encontrava aquela mulher, um estado de sequidão, assim como a Igreja de Cristo, bebendo muitas vezes da religião, da tradição e nunca sacia sua sede.

Jesus disse a ela que se soubesse quem estava lhe pedindo, ela que lhe pediria água para beber. Ele estava mostrando que Ele tinha uma água superior àquela que ela estava buscando. A mulher ficou curiosa para saber que água era esta que Jesus tinha, pois ela pensava que para beber a água teria que ter um esforço humano. Mas Jesus estava oferecendo a ela algo que não precisava do esforço humano. A religião exigia um esforço humano e Jesus oferecia água viva, que se tornaria numa fonte onde nunca mais teria sede. Não podemos prosseguir tomando da água da religião, temos que pedir Jesus a verdadeira água que mata nossa sede. Viver em uma rotina faz com que entremos num estado de morte.

Contudo, no meio dessa oferta da água viva, Jesus faz um confronto profético com a mulher. Perceba que no versículo 16, Jesus muda o diálogo e pede a samaritana para chamar o seu marido.  Ela responde que não tinha marido e Jesus disse que ela falava a verdade, pois cinco passaram por ela e não eram seus maridos, e ainda o que ela tinha também não era seu marido. Este sexto marido representa a sexta cultura que adorava a Deus, porém ela não tinha também uma aliança forte com Ele. É aqui nesta parte que se encontra a essência da adoração. Ela era uma mulher anônima, isto nos revela que Jesus não estava falando apenas para ela, Ele estava se referindo ao território.  Quando Ele a pediu para chamar seu marido, não se referia ao marido físico e sim ao espiritual.  Havia um adultério espiritual e cultural naquela região, e Jesus estava denunciando essas alianças. O adultério de Samaria era a mistura de cinco culturas que ela tinha aliança, e que estão representadas pelos cinco maridos abaixo. Jesus confronta a samaritana no contexto da sua adoração. Ela era uma mulher idólatra. Podemos verificar esses cinco maridos na passagem de II Reis 17:24-33.


A adoração de Samaria estava mesclada com as seguintes culturas:

Babilônia: significa mistura pela confusão. Eles fizeram uma deusa chamada Sucote-Benote. Ela operava nas tendas, na religiosidade e nas esferas sexuais. É a representação da Rainha dos Céus.

Cuta: Eles fizeram o deus Nergal, que significa grande homem, originalmente o deus do abismo. Em Apocalispse 11 há um anjo do abismo chamado de Apoliom, o destruidor. Ele opera na murmuração, julgamentos e fofocas (I Coríntios 10:10).

Hamate: Eles fizeram o deus Asima. Era uma deusa que operava no ocultismo, adivinhação, feitiçaria, manipulação. Representa a Jezabel.

Ava: Eles fizeram os deuses Nibaz eTartaque. Nibaz está relacionado com a incredulidade, o humanismo, o gnosticismo. Relacionado ao Espírito da Grécia.  Tartaque significa preso em cadeias, trevas, corrupção. Representa o principado de Belial.

Sefarvaim: Eles fizeram os deuses Adrameleque e Anameleque. Adrameleque significa esplendor do rei, está relacionado ao principado de Moloque e Baal. Anameleque denota pobreza do rei. Este é figura de Mamom.


Ao igual que a samaritana, para beber da água viva que o Eterno tem a nos oferecer, como Igreja temos que nos arrepender dessas alianças e deixarmos o cântaro do odre velho. A adoração verdadeira que Jesus fala é quebrarmos estas alianças com essas cinco culturas que ainda nos dias de hoje, se encontram presentes em nossas vidas.  A sua confissão é recebida por Jesus como uma oferta de adoração. Temos que nos separar desses ídolos. Quando a samaritana confessou que não tinha marido, Jesus a fez livre e não apenas ela, mas toda Samaria.

Hoje, se a Igreja de Cristo confessar suas iniqüidades e pecados, tal como a samaritana fez, o tempo da colheita será antecipado e virá de forma acelerada. Quando na Palavra diz: Erguei os vossos olhos, anunciava a sétima chuva para que a semente alcançasse o seu potencial ao máximo e frutificasse. E, quando vinha a sétima chuva, os samaritanos com seus turbantes brancos iam ao campo para a colheita. Por isso, mediante ao seu arrependimento, confissão e quebra dessas alianças demoníacas na sua vida, eu declaro que a sua adoração ao único e verdadeiro Deus de Israel trará sobre a sua vida águas que jorrarão para a vida eterna e uma colheita acelerada de tudo o que o Eterno liberou sobre sua vida.

Para entender todo o contexto dessa mensagem, assista o vídeo Os Cinco Maridos da Mulher Samaritana e seja livre para adorar ao Senhor.

Shalom!

Dr. Fernando Guillen